
“Por que a Inteligência Artificial deve ser utilizada nos estudos?”, perguntou o especialista em IA & Ciência de Dados, Álisson Oliveira, a estudantes de Engenharia Mecânica da FAETI, Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais do SENAI-RN, em Natal. A provocação – seguida de explicações sobre como ferramentas on-line podem ajudar em tarefas-chave da aprendizagem, como a fixação de conteúdos, a geração de resumos automatizados e a criação de questões de revisão para provas – foi o ponto de partida para a oficina “IA na prática – organização e eficiência dos estudos”, promovida pela Faculdade, na segunda-feira (04).
“A proposta da oficina foi proporcionar uma experiência de uso da inteligência artificial como aliada nos estudos. Principalmente porque sabemos que o curso de Engenharia traz consigo uma carga técnica muito densa e desafiadora, e que nossos alunos têm um perfil muito heterogêneo – desde jovens que estão aprendendo a estruturar sua rotina de estudos até aqueles que já trabalham durante o dia e precisam otimizar ao máximo o seu tempo disponível”, explica a gerente acadêmica da FAETI, Patrícia Mello.
“Nós buscamos oferecer estratégias e ferramentas baseadas em IA que pudessem ser adaptadas à realidade de cada um. Quisemos apresentar possibilidades, para que cada estudante identifique o que melhor se encaixa em sua rotina e necessidade”, acrescenta. “Além disso, ensinar a utilizar a inteligência artificial com ética, criticidade e sabedoria, que também são competências esperadas de um bom profissional, é um desafio que toda instituição de ensino tem enfrentado”, complementa.
Suporte
A oficina foi realizada no Hub de Inovação e Tecnologia (HIT) do SENAI-RN, em Natal, complexo que sedia a FAETI. Durante quase duas horas de discussão, o cientista de dados em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), mestre em Neuroengenharia e doutorando na área de Engenharia da Computação e Visão Computacional, Álisson Oliveira, mostrou aplicações práticas da IA para o dia a dia dos/as estudantes.
“A Inteligência Artificial facilita o processo de ensino-aprendizagem personalizado, visto a rapidez e a quantidade de recursos disponíveis em diferentes tipos de IAs e atividades”, observou ele, ressaltando a importância de “criação do hábito de colocar a IA, seja ela qual for, como suporte alternativo e não como fonte principal de senso crítico e responsável sobre qualquer assunto”.
“Como estudante”, disse Oliveira, “é preciso perceber que usando IA ou não, eu continuo sendo o responsável pelo meu raciocínio e pelo senso crítico de avaliação de qualquer resposta que a IA venha a gerar. Eu preciso, com meu conhecimento, validar as informações obtidas e não tomar como verdade central tudo o que for gerado a partir das IAs. Portanto, a IA não substitui o nosso intelecto, ela deve ser um potencializador de nossas habilidades. “Ela deve servir de suporte e não substitui o esforço individual de cada estudante”, enfatiza.

Ferramentas
O objetivo geral da oficina, segundo o especialista, foi mostrar diferentes tipos de ferramentas baseadas em IA para facilitar a rotina estudantil em diferentes contextos. A lista de possibilidades inclui desde a preparação da rotina de estudos, passando por revisões orientadas por IA, a geração de podcasts e de mapas mentais através de IA, até como uma boa preparação de engenharia de prompt – ou seja, como dar os comandos corretos à plataforma que está sendo utilizada – pode melhorar as respostas que a IA pode gerar.
“A intenção foi mostrar outras alternativas além das já tradicionais como ChatGPT, Gemini e etc”, disse Oliveira, elencando como prioridades, nesse sentido, as plataformas AnkiWeb, com o suporte da geração automática de flashcards por alguma ferramenta generativa, a Scispace, para buscar de maneira rápida e efetiva em formato de fichamentos artigos em bases conceituadas, além da Google LM, no que se refere à preparação de material de estudos. A partir dessa ferramenta, explicou ele, é possível gerar mapas mentais automáticos, podcasts de até 20 minutos e guia de estudos personalizado para qualquer temática que se queira estudar.
“Os estudantes podem e devem explorar outras alternativas além das classificadas como tradicionais. Existem muitas IAs focadas em propósitos específicos. Então é possível ir além do uso dos chats (ChatGPT, Claude AI e Gemini) unicamente e exclusivamente para responder perguntas”, ressaltou o especialista. “A IA, se bem utilizada, tem o poder de ser disruptiva no processo de ensino-aprendizagem tradicional”.

José Roberto Dantas de Oliveira Júnior, estudante de 24 anos no 2º período do curso de Engenharia Mecânica, afirmou que os exemplos que viu deixaram claro que a IA foi feita também para ajudar nos estudos. “Para mim vai ser bem proveitoso. Vai me ajudar a aproveitar melhor o tempo e para que eu consiga perceber ainda mais as coisas mais importantes de cada aula”.
Jonas Figueira, de 23 anos, que está no 4º período, também aprovou a iniciativa. “A oficina ajuda a usar a IA a nosso favor, de uma forma que a gente utilize ela com sabedoria para o curso, na elaboração de projetos, nas aulas, na rotina de estudos”.
Sobre a FAETI
A FAETI é a primeira Faculdade do Brasil com foco em energias renováveis e marca a expansão das ações do SENAI-RN para o setor no país.
A instituição funciona em Natal, capital do Rio Grande do Norte, estado que lidera a geração brasileira de energia eólica e sedia os Centros de referência do SENAI para formação profissional, inovação e pesquisa aplicada voltadas à atividade (o Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis – CTGAS-ER – e o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis – ISI-ER).
A portaria de credenciamento da Faculdade foi publicada pelo Ministério da Educação (MEC) em agosto de 2023. Antes, avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), vinculado ao Ministério, destacou “o planejamento do SENAI para trabalhar com responsabilidade social e seus temas, bem como para o desenvolvimento socioeconômico” e mencionou a Faculdade como “projeto organizado para melhorar as condições de vida da população”.
Conclusões sobre a infraestrutura em que está inserida também chamam a atenção para “inúmeros recursos tecnológicos inovadores”, em menção a laboratórios disponíveis e chamados de “altamente diferenciados para aulas práticas”. No corpo docente, mestres e doutores em diversas áreas estão em campo. O ingresso da primeira turma de Engenharia Mecânica ocorreu em março de 2024.
Texto: Renata Moura
Fotos: Samuel Balbino



