
O Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER), do SENAI-RN, recebeu na sexta-feira (24), em Natal, representantes da Global Wind Organization (GWO) – organização internacional que reúne fabricantes, proprietários e operadores do setor de energias renováveis – para discutir novas oportunidades de expansão de treinamentos voltados à indústria de energia eólica no Rio Grande do Norte.
A GWO tem sede na Dinamarca e estabelece padrões globais de segurança e capacitação para profissionais que atuam em parques eólicos. A instituição certifica formações reconhecidas em diversos países, como o Basic Safety Training (BST) – Treinamento Básico de Segurança – e o Basic Technical Training (BTT) – Treinamento Técnico Básico. Esses treinamentos aparecem, também no Brasil, entre os requisitos para vagas de emprego em indústrias do setor.
No país, o CTGAS-ER foi pioneiro dentro da rede SENAI na oferta desses cursos. A instituição conta com o BST desde 2021 e, a partir de 2026, será a primeira da rede a disponibilizar o BTT ao público. A auditoria que analisou a incorporação do treinamento no portfólio disponível foi realizada em setembro deste ano, e o resultado favorável foi divulgado neste mês.
A reunião em que foram discutidas possibilidades de ampliar ainda mais essa oferta foi realizada no Hub de Inovação e Tecnologia (HIT) do SENAI-RN, na capital potiguar, o complexo que sedia o CTGAS-ER.
“O modelo de atuação da GWO está muito conectado ao do SENAI. Ambos compartilham a responsabilidade pela formação de profissionais para a indústria, unindo teoria e prática na capacitação de pessoas”, destacou Amora Vieira, diretora do CTGAS-ER.
“Agora, a GWO trouxe a proposta de um novo olhar para a formação de pessoas para a indústria, concebendo alternativas de solução para quem já trabalha na área e para pessoas que têm o conhecimento prático desenvolverem possibilidades de progressão de carreira, aproveitando a expertise já adquirida. É um modelo que se assemelha à certificação por competência que o SENAI oferece para o setor de energia solar, e estamos avaliando as possibilidades para o setor eólico”, acrescentou ela.
A executiva ressaltou que obter a certificação da GWO era essencial para atender à demanda crescente do setor. “Iniciamos esse processo, lá atrás, com o planejamento e a capacitação da nossa equipe de instrutores, além de investimentos em infraestrutura educacional, criando ambientes aderentes aos requisitos da indústria”, frisou.
A reunião contou com a participação de Dan Ortega, Network Development Manager (gerente de Desenvolvimento de Rede) da GWO, de Sergei Perapechka, Head of Partnerships and Network Development (chefe da área de Parcerias e Desenvolvimento de Rede) da organização; de Maria Mariana Faria, assessora técnica responsável pela área de Qualidade do SENAI em Natal; de Marcus Eduardo Freitas Dantas, engenheiro de Segurança do Trabalho e instrutor de Educação e Tecnologias para cursos como os do GWO, no CTGAS-ER; e de Bruno do Nascimento e Silva, pesquisador do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER).
Durante a visita, Dan Ortega destacou o potencial de expansão dos treinamentos voltados à energia eólica na rede SENAI e avaliou que “unir isso aos padrões GWO representa uma grande oportunidade para o mercado brasileiro”. “As empresas conhecem e confiam no SENAI, então trabalharmos juntos – ou seja, termos uma instituição local sólida aliada a um padrão global reconhecido – é um cenário em que todos ganham”, afirmou.

Ortega também destacou o papel do SENAI como referência em formação técnica e educacional. “Na GWO, desenvolvemos e oferecemos treinamentos básicos. Mas, para que alguém se torne um técnico ou profissional de sucesso no setor eólico, é preciso mais do que treinamento.
É preciso educação. E o SENAI oferece essa formação aprofundada, com experiências práticas, que capacitam profissionais a manterem as turbinas em operação, a diagnosticarem falhas e a colocá-las para funcionar de novo. É por isso que consideramos parcerias como essa fundamentais”, completou o executivo.
Reconhecimento
Além do BST e do BTT, a GWO certifica treinamentos para trabalhos que envolvem, por exemplo, reparo de pás, guindastes e içamento, elevadores de serviço, a necessidade de resgate e primeiros socorros avançados. Segundo Ortega, a expectativa no Brasil é ampliar o reconhecimento nacional dos padrões da GWO, comprovando que eles atendem às normas brasileiras.
A visita ao CTGAS-ER integrou uma agenda mais ampla da GWO no Brasil, que inclui a participação no Brazil Windpower e o lançamento de um guia com diretrizes na área, durante o evento, elaboradas em parceria com a Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) – e a colaboração de instituições como o SENAI CTGAS-ER.

“Essas diretrizes são uma iniciativa para aproximar os padrões globais da GWO das normas nacionais. Os padrões da GWO são desenvolvidos por nossas organizações-membro e têm foco nos riscos e nas características do trabalho realizado em turbinas eólicas. O que ocorre é que, em praticamente todos os países, as regulamentações nacionais não são específicas para o setor eólico – elas costumam se basear em normas gerais da indústria, como as aplicadas à eletricidade ou ao trabalho em altura, a exemplo das NRs no Brasil (as Normas Regulamentadoras que visam garantir a saúde e a segurança no ambiente de trabalho”, diz Ortega.
Segundo ele, o desafio é mostrar como esses padrões internacionais específicos do setor eólico atendem também às exigências das normas nacionais. “O que me anima nessas novas diretrizes é que elas oferecem uma explicação clara de como cumprir os diferentes requisitos das NRs brasileiras por meio dos treinamentos da GWO, mostrando que esses cursos atendem – e, na maioria das vezes, superam – as exigências legais para o trabalho seguro no setor”, acrescenta.
Na avaliação do executivo, o guia dará mais confiança às empresas contratantes e operadoras de parques eólicos sobre a qualificação dos técnicos certificados pela GWO, ajudará provedores de treinamento, como o SENAI, a assegurarem que os cursos oferecidos estejam alinhados às normas brasileiras, e também facilitará o entendimento dos órgãos reguladores de que essa capacitação específica da indústria eólica está alinhada à legislação nacional.
“Em praticamente nenhum país existem normas específicas para o setor eólico. Normalmente, aplicam-se regras mais gerais, como as de segurança elétrica ou de trabalho em altura – no Brasil, por exemplo, as NRs 33 e 35. As diretrizes mostram de forma clara como os treinamentos da GWO cumprem essas exigências”, explicou Ortega.
SAIBA MAIS – GWO
A Global Wind Organisation (GWO) é uma associação sem fins lucrativos formada e administrada por alguns dos principais fabricantes, proprietários e operadores do setor de energias renováveis do mundo, incluindo empresas com operações ou projetos no Brasil, como Vestas, Engie, Ocean Winds, Qair e Siemens Gamesa.
A organização certifica diferentes tipos de treinamento, incluindo o BST e o BTT, voltados ao setor eólico. Os padrões de treinamento que estabelece reúnem objetivos de aprendizagem definidos em consenso pelas empresas-membro e são recomendados para técnicos que atuam nas fases de construção, instalação, operação e manutenção dessas companhias. De acordo com a associação, ao cumprir os padrões e requisitos da GWO, os provedores de treinamento certificados são considerados competentes e qualificados.
Texto: Renata Moura



